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Por Francisco Espiridião
Cerca de 30 produtores rurais da Serra da Lua estiveram reunidos no início da tarde desta quarta-feira (23), com o governador José de Anchieta, no Palácio Senador Hélio Campos. Eles vieram buscar o apoio do Estado no sentido de barrar as pretensões do Governo federal de criar o Parque Nacional do Lavrado (PNL).
Além de produtores tradicionais da região, como Alceu Thomé, 73, e representantes da família Pereira, participaram do encontro o prefeito de Bonfim, Domingos Santana, o secretário de Planejamento Haroldo Amóras e o presidente do Instituto de Terras de Roraima (Iteraima), Pedro Paulino.
O governador repetiu para os produtores que não concorda “de forma alguma” com a demarcação de nenhuma outra área no Estado. “Se for preciso, vou alugar um Boeing para levar todos os produtores da região para protestar em Brasília”, disse, afirmando que a “demarcação da área de lavrado é um absurdo. Não dá mais para tolerar”.
O governador corrigiu que o número de famílias a ser prejudicadas com a demarcação não é de apenas 250, e sim 450. Anchieta lembrou, no entanto, que as ações não podem ser feitas na base do impulso. Precisam ser orquestradas, muito bem pensadas, para que se obtenha sucesso, que não será só dos produtores, mas de todo o Estado de Roraima.
Para o governador, não adianta resolver problemas estruturais, como a questão de energia, que já está em andamento, com a recuperação de duas turbinas e a construção de mais duas na Usina de Jatapu, para resolver a questão da região sul, e a construção de estradas, mas será necessário que haja produção agrícola.
“Para se desenvolver, é preciso que haja plantio”, enfatizou o governador. Para isso, lembrou que é necessário que o homem do campo, a exemplo dos produtores da Serra da Lua, tenham tranqüilidade advinda da garantia da propriedade da terra.
O governador disse claramente que há uma orquestração por parte do Governo federal para inviabilizar o Estado de Roraima, aproveitando o momento em que o senador Romero Jucá (PMDB) entrou de férias. “Já não dá mais para concordar com esse tipo de ação”.
QUESTÃO SENTIMENTAL – Falando pelos produtores, Laerte Macelaro invocou um ponto frisado pelo governador, que foi o apego espiritual que os proprietários da Serra da Lua mantêm por suas localidades. “Cada caimbé vai falar não só das pessoas que estão ali enterradas, mas dos sonhos que se perderam ao longo do tempo”, disse, Macelaro, invocando a veia poética.
O governador ressaltou a presença de Alceu Thomé, a quarta geração de pioneiros que ali chegaram ainda no início do século passado. O título de propriedade hoje nas mãos de Alceu foi expedido originariamente em 1904. Alceu explica que seu bisavô chegou na Serra da Lua como empregado de Sebastião Diniz, o primeiro proprietário, para implantar a fazenda que hoje lhe pertence.
O governador concordou com Laerte Macelaro quando este denunciou que as demarcações no Estado fazem parte de uma ação para impedir o crescimento do Brasil.
Para Macelaro, essa ação está em andamento já há algum tempo, e reflete o interesse de países industrializados, que através de organizações não-governamentais (ONGs), querem manter o Brasil estagnado, como uma reserva extrativista para quando seus recursos se exaurirem.
AÇÃO EFETIVA – Já na próxima semana, o governador Anchieta vai editar um decreto nomeando uma comissão para tratar do assunto criação do PNL. Essa comissão constará de representantes da Casa Civil do Governo de Roraima, da Secretaria de Planejamento, do Iteraima, Femact e um representante dos produtores da região.
Anchieta disse que o Governo do Estado vai contratar uma banca de advogados, “o que há de melhor em direito agrário no País”, para enfrentar a questão na área jurídica. Além disso, disse também que a questão será enfrentada em mais duas frentes, a política e a de comunicação.
A bancada federal – deputados e senadores – será acionada para agir dentro do Congresso Nacional, enquanto que o setor de comunicação vai abrir portas para que o Estado tenha vez e voz junto à grande imprensa. “Se nós conseguirmos falar e nos tornarmos conhecidos, os meios de comunicação da grande impressa terão interesse em difundir nossas idéias”, disse o governador.